segunda-feira, setembro 25, 2017

Topo

topo

Topo se você quiser e vier, mas não topo se você desistir de voltar ao mesmo lugar. Antes tínhamos um pedaço de joia, um tesouro e hoje não temos nada. O tempo passou rápido demais, não foi fácil, mas foi preciso. Os dias são assim sem muita explicação, sem muita vontade de compreensão.

Pedimos tanto, cobramos tanto e nada é feito. Nada muda enquanto nós mesmos não recuperarmos a joia perdida. Nada muda enquanto nosso tesouro estiver em mãos erradas.

Topo e não topo. O topo pode ser o lugar mais difícil de chegar, mas é o mais recompensador quando consideramos que é lá que queremos ficar.

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domingo, setembro 24, 2017

Direito de escolha

direito de escolha

Hoje é assim você pensa que pode, você imagina poder, mas quando vai ver não pode nada. O seu querer não tem mais o mesmo peso de antes, não tem mais validade. Quem manda, quem pode, são aqueles que pensam saber de tudo, são os que detêm o poder de ditar regras e impor verdades.

O medo de não ser compreendido ronda as mentes e por mais que se faça ou se explique, sempre há o risco da acusação sem fundamento, do dedo em riste apontado em tom de desaprovação. Qualquer comentário de aprovação ou de desaprovação pode e será usado, nem sempre a favor e muito menos da maneira correta.

Todos querem incomodar, todos querem ser ouvidos e vistos. Poucos querem de verdade a compreensão. O que mais importa é obrigar o outro a aceitar mesmo contra a vontade tudo o que se quer, pois faz mais sentido aparecer do que apenas ser.

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sábado, setembro 23, 2017

Ela é…

ela e

Ela é daquelas que faz selfie todo dia, manda foto para família e acha que entende, mas ainda depende. Ela daquelas que não dá ponto sem nó, acorda com a cara feia, o cabelo desgrenhado e pensa que não está só.

Ela é uma tela em branco esperando o artista iniciar a obra, esperando o movimento que vai mudar o rumo, esperando todo mundo compreender que o fundo não é tão fundo quanto se pensa. Ela é bela e ao mesmo tempo uma indefesa donzela vagando pelo caos desse mundo cão, sem saber o que fazer no dia de amanhã, a procura de saídas para não se perder.

E faz de tudo, aceita tudo, converge sempre naquele tema, exato tema, tal e qual um poema. A revista de novidades enlatadas acabou de chegar e ninguém sabe combinar as cores do céu azul que apareceu depois do temporal.

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sexta-feira, setembro 22, 2017

Versos que escrevo

versos que escrevo

Escrevo versos tão bonitos sobre nós dois. Escrevo versos tão sinceros sobre nós dois. Escrevo e não transcrevo o que sinto, mas escrevo e só pelo fato de escrever já que você nitidamente não me vê. Enxerga longe, mas não compreende o que vê, não interpreta os sinais.

Fosse e não desse, talvez assim quem sabe um dia desse e nesse dia, tudo acontecesse, enquanto os versos que escrevo, aqueles que ninguém lê, são levados pelo vento.

A linha entre a realidade e a ilusão é tênue, por isso, escrevo versos desconexos sobre o adverso do fim.

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quinta-feira, setembro 21, 2017

Na prática ela era teórica demais

na pratica ela era teorica demais

Quando tudo começou estávamos sentados em um banco na praça principal da cidade, a única.

Quanto tudo terminou estávamos sentados em um banco na praça principal da cidade, a única.

Quando tudo começou ela me perguntou sobre o livro que eu estava lendo e fez uma tremenda cara de espanto quando eu disse que o livro era uma merda. Ela havia escrito o livro.

Quando tudo terminou ela me deu uma edição do seu mais novo livro e fez uma tremenda cara de espanto quando eu disse que o livro não era uma merda. Eu havia lido.

Milena era ótima escritora, seus três livros eram campeões de venda e falavam sobre relacionamentos. Falavam sobre encontros e desencontros, falavam sobre como as pessoas podiam superar as diferenças, construir uma história e ser felizes. Um bando de baboseiras que ela mesma teve o prazer de comprovar quando ficamos juntos.

Na teoria ela sabia tudo, na pratica as coisas em que ela sempre acreditou nunca funcionaram. Ela tentava seguir o roteiro e eu apenas vivia a vida. Não demorou muito para ela perceber que seus livros não refletiam a realidade, pois foram escritos por uma pessoa, no caso ela, sem a menor experiência no assunto.

Ela terminou comigo ao descobrir que também poderia ser feliz sozinha. Ela enfim soube que relacionamentos podem ser duradouros sem a necessidade da dependência um do outro.

Seu ultimo livro vai contra tudo o que ela escreveu nos três anteriores e por isso, acho que vai vender bem menos. A maioria das pessoas não está preparada ou quer a verdade. O sonho do relacionamento perfeito vende muito mais.

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quarta-feira, setembro 20, 2017

Automotivamente falando

automotivamente falando

O carro é um veiculo de quatro rodas que circula pelas ruas guiado por um ser humano, dito pensante. O carro é um veiculo de quatro rodas movido à gasolina que circula pelas ruas guiado por um ser humano dito pensante. O carro não é só um monte de metal sobre quatro rodas que circula pelas ruas guiado por um ser humano.

Um carro é um carro.

Analogias perfeitas foram criadas para definir um monte de coisas. Analogias sempre surgem e tem a intenção de dar compreensão a alguém sobre algo que aquela pessoa não compreende. Interessante querer entender todo o processo por trás da construção de uma analogia. O carro não tem nada a ver com tudo isso. O carro nem era para estar aqui, neste texto.

O carro é um veiculo. Este é um texto. O carro foi usado como uma tentativa vã de criar um texto coerente. O texto, horrível, está aqui, você o está lendo. O carro está nas ruas, você inclusive pode estar dentro dele.

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terça-feira, setembro 19, 2017

Canção de amor 2

cancao de amor 2

Número par, no mesmo lugar, estarei lá, quando você precisar. Pode chamar, pois vou lhe ouvir mesmo que você não perceba. Já me indispus com tanta gente que hoje acho melhor não mais supor e só compor uma canção de amor.

Seguindo a linha melódica do meu coração vou escrever centenas de poemas. Seguindo os acordes do meu violão vou tocar em plena quarentena. E já que propus acho melhor não mais sonhar, vou suavizar e só compor uma canção de amor.

Tão indecente quanto os anti versos de um tempo feliz para nós dois. Tão condizente com o que eu acredito e o que nunca vi que não posso deixar para depois. E bola para cá, bola para lá, não quero mais passear, acho melhor só compor uma canção de amor.

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segunda-feira, setembro 18, 2017

Refletindo o nada

refletindo o nada

Voltar antes de terminar o dia é algo que sempre penso em fazer. Um dia talvez por conta de toda essa alegria eu me lembre de você. O tempo será cruel com quem não for isento. O tempo não vai servir de alento e será duro resistir no relento.

Proponho um pacto entre nós dois, proponho um pacto para depois. Proponho que façamos mais sem esperar receber algo em troca. Sabemos bem onde estamos mesmo não tendo noção para onde vamos. Trinta e cinco menos vinte ao meio dia não dispensa a fantasia.

São frases embaralhadas que processamos todos os dias. São espelhos refletindo o nada e no meio da madrugada, se bem me lembro, já descemos as escadas.

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domingo, setembro 17, 2017

Coisas perdidas

coisas perdidas

Elas por elas um filme que jamais se viu e nós estamos no Brasil. Pensamentos desconexos. A vida é somente um reflexo e eu me viro nesse jogo, o absurdo é um descontrole de coisas perdidas por toda essa vida.

Tem razão quem pede mais e faz. Tem razão quem nunca viu, sumiu. Era primeiro de abril e em fevereiro não vai ter carnaval. Podem recolher os pratos, o almoço acabou.

É grátis pensar que tudo não passou de um sonho e por isso eu proponho que nesse inverno de verão a gente faça primavera no outono. Outro dia ainda virá e eu ei de encontrar um par para dançar e vou dizer para todo mundo que não preciso mais sorrir.

Elas por elas um filme que jamais se viu...

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sábado, setembro 16, 2017

Poucos

poucos

Poucos podem comer bacon. Poucos podem comer chocolate. Poucos podem rir de si mesmos. Poucos podem.

Poucos tentam.

Interminável como um filme sem final. Magnânimo como uma grande construção do século vinte. Imponente como um arranha céu. Assim é o nosso desejo, a nossa vontade.

Poucos tentam porque acham que não são capazes ou que será difícil demais chegar lá. Poucos tentam porque tem medo de não saber o que fazer quando conseguirem. Poucos tentam porque é mais fácil colocar a culpa no medo e desistir do que lutar e talvez não conseguir.

A realidade é que falta muita coragem para uma parcela de indivíduos que nunca foi educada para fazer a diferença em suas próprias vidas. Essa parcela de indivíduos foi educada para esperar por alguém, foi educada para deixar que o outro decida como eles têm que se comportar, em quem eles têm que votar e o que eles devem fazer. Não lhes foi dado o pensamento critico, por isso eles nunca tentam.

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sexta-feira, setembro 15, 2017

Estou de dieta 4

estou de dieta 4

Não dá para conquistar o mundo em uma semana, mas dá, perfeitamente, para se preparar para desfilar no calçadão no verão. É isso e é simples.

Comece estabelecendo metas factíveis, justas com a sua condição atual e o seu modo de vida. Não se prive de fazer o que lhe dá prazer, mesmo que seja um prazer que vá de encontro as suas metas. É justamente a privação que faz a maioria desistir antes de chegar à metade do caminho.

Pense nos pontos de controle e a cada tempo pré-estabelecido lá no começo reveja suas metas, celebre as conquistas e identifique onde errou para evitar cometer o mesmo erro. Invista em novos pensamentos, saia da rotina e dos padrões. Mude o foco em direção ao que lhe faz bem, mas não se esqueça de verificar os resultados.

Às vezes dá para se atingir o objetivo com poucos passos, mas às vezes a coisa requer mais esforço. Uma dica valiosa é sempre pensar que já estamos no meio da segunda metade do ano e que muito em breve o ano já terá terminado e você poderá comemorar a meta alcançada ou lamentar o tempo desperdiçado.

Por isso, não se atenha ao que vê, lê ou ouve. Preocupe-se em chegar o mais perto possível do desejado, pois isso por si só já será uma grande conquista.

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quinta-feira, setembro 14, 2017

Vamos falar da porra do sexo

vamos falar da porra do sexo

Sim!

Isso aí.

Falar de sexo nos dias de hoje não deveria ser nenhum tabu, nenhum bicho de sete cabeças, mas ainda é e isso acontece porque estão misturando a porra toda. A coisa ficou incompreensível demais.

Antes era simples, modo operando sem maiores alterações, mas hoje tem tanta sigla, denominação, regra, achismo, modismo, jeito torto e maneira inventada, que tudo se perde no meio do caminho.

As máster preocupações do passado eram o ponto G e o tão falado, mas pouco visto, orgasmo feminino. Isso era a lição de casa da coisa.

Hoje você precisa saber exatamente a tipografia do ser em questão, para só então, pensar em como agir. Tem que saber se é A ou B. Depois tem que saber se é A que era B ou se é B que era A.

Calma que não acabou, pois pode ser B que era A, mas que na hora principal continua querendo ser tratado como A, mesmo que depois queira receber as benesses dadas a quem é B. E tem também quem se diz C e não quer ser visto como um simples A e B, mas adoraria descobrir o D.

A sopa de letras, opções e afins é extensa. A cada dia novas denominações são criadas sem nem dar tempo de você absorver e entender as que já existem. A moda é se reinventar, pois muita gente não quer mais ser visto com a simplicidade que sempre funcionou.

Por isso o tabu, o tato e a falta de coragem de se abordar certos temas, de entrar em certas searas e correr o risco de ser mal interpretado ou ser visto como um antiquado ser do tempo em que o G era o X da questão.

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quarta-feira, setembro 13, 2017

Sol de inverno

sol de inverno

O sol de inverno não é tão bom quanto o sol de verão, mas não deixa de ser sol e por isso, já merece todo o credito. Coisa boa acordar com o danado do sol no rosto, mesmo que seja aquele sol tímido de inverno, que faz que sai, fica meia hora e depois se vai.

Sol de inverno é aquele para você colocar uma camisa de manga com uma malha mais fina. É aquele em que você arrisca sair de bermuda e não sente tanto os efeitos do vento.

Enquanto o sol de verão chega rasgando e queimando, o sol de inverno vem suave. Ele aquece, mas não faz alarde.

O sol de inverno pede óculos escuros, pede protetor solar, mas não descarta o vinho e muito menos o chocolate quente.

Tem quem goste mais do inverno por conta dos dias de sol ameno, onde sai o frio insuportável e entra o calor agradável.

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terça-feira, setembro 12, 2017

Tecle X para doar

tecle x para doar

Na teoria eu penso em Dona Maria que lava roupa todo dia para sustentar a cria. Na prática eu só fico em pensamento, ação concreta que é bom eu nunca fiz.

Acho legal pensar no sofrimento de quem não pode, mas não gasto o meu tempo para ajudar. Sou como muitos, mas não encho de orgulho por ser assim. Doar para campanha famosa é fácil, qualquer um faz, e mesmo que “salve vidas”, não substitui a ação real que é levantar do sofá e trabalhar.

Ideologias furadas a parte estamos vivendo uma era em que muitos pensam que dez centavos são milagrosa contribuição a quem precisa. Doei, dei, contribui, retirei do meu bolso moedas valiosas, sou digno, sou solidário.

Discurso barato para tanto todo mundo tem. E o governo que se vire com seus programas sociais para favorecer tanta gente e não desamparar o coitado que doou uns trocados por telefone e se acha no direito de ser o salvador da pátria.

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segunda-feira, setembro 11, 2017

Não se explodam

nao se explodam

Coréia do Norte irmã da do Sul eu te peço que repense um pouco mais. Coréia do Sul irmã da do Norte eu te peço que dê um passo para trás.

As coisas não estão boas entre vocês, mas não é com bombinhas que isso vai se resolver. Vamos parar de frescura, ameaças, loucura. Vamos conversar com doçura, ternura e sensatez. Já temos no mundo muita briga sem razão.

É corrupção no Brasil, Trump lá nos estates, esfihas voando nas arábias, só coisa de louco e agora vem vocês com esse papo de guerra.

Temos tantas mazelas no mundo não precisamos duelar por isso, se todo mundo se unir e ao invés de pensar em destruir, construir, com certeza algo melhor há de surgir.

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domingo, setembro 10, 2017

O seu amor me salva

o seu amor me salva

O ideal seria eu mandar ver, mandar ver, mandar ver.

O ideal seria eu encontrar, encontrar, encontrar.

Enquanto eu não mando e não encontro, vou me perder, vou me perder, vou me perder, tentando me achar.

E nesse emaranhado de desmandos, desencontros, desatinos e pesar, vou pular do penhasco, me jogar, mergulhar, esperando cair no mar.

Você vem me abraçar e o seu amor me salva. É a sua calma que me faz flutuar. Sem seus pensamentos eu sou como o vento, que vaga ligeiro, sempre passageiro, por qualquer lugar.

Então o ideal seria eu pensar, pensar, pensar e não mais sonhar. Quero tanto viajar com você sem pressa de voltar.

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sábado, setembro 09, 2017

A vida é um doce

a vida e um doce

Ganha um doce quem souber contar de trás para frente e de frente para trás todos os acontecimentos dos últimos cinquenta anos da historia mundial. Ganha um doce de batata doce quem narrar com precisão o que não foi transmitido pela televisão, publicado nos jornais e impresso nos livros.

Perde pontos quem consultar o Google e os gurus de plantão, os que se intitulam conhecedores de todas as coisas. Perde muitos pontos quem for tendencioso e só contar a história sobre o ponto de vista de um dos lados.

Ninguém ganha e nem perde se conseguir informação imparcial, se não for contaminado por aqueles que se dizem neutros, mas na verdade estão a serviço de sua própria causa, defendendo seus próprios interesses.

Não há maior ilusão do que a ilusão daqueles que pensam existir no mundo puros de alma imaculada. Santos, talvez aqueles do céu, poucos, na terra, nenhum.

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sexta-feira, setembro 08, 2017

Um homem só

um homem so

Quem pode fazer um homem só, revoltar-se contra mais de mil. Quinhentos em um barril e aquele covil de lobos prestes a explodir.

Quem pode fazer um homem sã perder toda sua sanidade. Esquecer a verdade não é tão fácil assim, às vezes não se tem para onde correr.

Em todo lugar tem gente boa, mas também tem gente que destoa. Crueldade a parte, viver é uma arte, sonhos são para quem pode sonhar.

Querer muito nunca é demais, desconfie sempre dos muito capazes, pois estes são cruéis e quando vão ao chão pensam que tem sempre a razão.

Quem pode fazer. Fará.

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quinta-feira, setembro 07, 2017

Lá no bairro

la no bairro

Maria se casou com João

João virou marido de Maria

E lá no bairro todo mundo só dizia, que era com Pedro que Maria deveria se casar.

Pedro se casou com Rita

Rita virou esposa de Pedro

E lá no bairro todo mundo só dizia, que era com José que Rita deveria se casar.

José não quis a vida assim, ser homem de uma mulher só.

Saiu no mundo, se perdeu na estrada, comendo poeira, andou sem parar.

Destino é coisa traiçoeira, une e depois separa. Maria se casou com João, poderia estar com Pedro que preferiu a Rita, que poderia estar com José.

O mundo que da voltas um dia cansa e igual criança troca de brinquedo, mais cedo era só amor, mas depois de tanto resplendor, no amanhecer de um novo dia João largou Maria.

Pedro que não fazia versos manteve-se fiel a Rita e as crianças, três doces rebentos. Rita realizada, satisfeita e muito bem casada era o exemplo da mulher amada.

E lá no bairro todo mundo só dizia, que era assim que a vida acontecia.

Imagem do post: Tumblr / Her-per-fection

quarta-feira, setembro 06, 2017

Nessa levada

nessa levada

Axé para quem é de axé
Amém para quem é de amém
Ao meu povo sarava
Glória a Deus para quem é de orar

Felicidade para todos e alegria para celebrar

O pai nos trouxe bênçãos lá do céu
Nos deu a chuva para molhar a terra
Fez crescer o verde e deu saúde aos animais
Colocou nos rios peixes para o pescador

A vida é simples, mas também é justa
Quem cedo acorda sempre pode crer em um amanhã melhor
Quem se levanta e pensa no futuro, coração puro, não tem medo do escuro.

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quarta-feira, julho 26, 2017

Corre para ver o sol

corre para ver o sol

Corre para ver o sol, mas não se esquece de contemplar o mar. Corre, mas sem pressa de chegar. Vá com calma e decisão, veja o sol, comtemple o mar e se der, caso possa, naquele tempinho extra, nos minutinhos restantes, antes de perder completamente os sentidos, sorria.

Vida agitada, atribulada e cheia de tarefas. Movimentação estranha embaixo dos lençóis e dentro da mente. O corpo pede e não está doente. A boca fala, mas o som não sai. Instintivamente tudo acontece e nada muda. São os novos tempos querendo lhe mostrar que ainda há muito para descobrir, aprender e fazer.

Tem tanto espaço lá embaixo, tanta gente perdida, tanto frio enlatado, que dá medo sair no escuro sem um guia confiável. Quem muito pergunta esquece a resposta quando a obtém e quem nada questiona não sabe a hora de admitir que já esta perdido.

Faço minhas as palavras de todos aqueles que pelo menos tentaram. Faço minhas as palavras de todos aqueles que sucumbiram após correr demais para ver o sol e não contemplaram o mar. Alguns pelo menos tiveram tempo de sorrir.

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quinta-feira, junho 29, 2017

A gata do Téo 2

a gata do teo 2

- Doutor você precisa me ajudar!
- Acalme-se, o que aconteceu meu filho?
- A Fifi, o senhor precisa salvar a Fifi!
- Ok, quem é essa tal de Fifi?
- Minha gata, a Fifi, ela está morrendo...
- Morrendo? Tente ficar calmo e me conte o que aconteceu para que eu possa tentar ajudar.
- Doutor você tem que salvar a Fifi! O senhor não esta entendendo.
- Claro que não estou, você não fica calmo e fala coisa com coisa. Conte o que a sua gata está sentindo e eu vou tentar ajudar.
- Macularam a Fifi!
- Ah, ela cruzou com outro gato e agora está esperando gatinhos. É isso.
- Não doutor! O senhor não está levando a serio a gravidade do caso. Fizeram mal a minha gatinha...
- Filho, os animais, assim como os humanos, têm relações, praticam o coito, isso é normal, o outro gato não fez mal a sua gata.
- Não foi um gato doutor. Comeram o cú da Fifi!
- Vamos lá que não tenho paciência para frescura e nem tempo para perder. Onde está a sua gata, deixe-me vê-la, vou examina-la.
- Ela não está aqui doutor, está em casa, eu não ia trazê-la neste estado. A coitada foi abusada imagine a vergonha que ela está sentido neste momento.
- Filho, qual o seu nome?
- Téo, mas não se trata de mim, e sim da Fifi, é ela quem precisa de ajuda doutor.
- Téo eu sou um veterinário, não um sensitivo, portanto, só posso ajudar a sua gata se ela estiver aqui no consultório. Não realizo atendimento a distancia via teleconferência, preciso ver o paciente, no seu caso, a sua gata.
- Por isso que estou aqui para levar o senhor até ela antes que a coitadinha piore ainda mais.
- Não faço atendimento em residenciais e além do mais, pelo que você disse, se alguém realmente fez algum mal a sua gata, isso pode ser considerado caso de maus tratos. Você não viu ou tem ideia de quem a machucou?
- Como assim o senhor não vai até ela? É claro que não sei quem comeu o cú da Fifi. Ela é uma gata pura, inocente, não se mistura com esses gatos por ai.
- Bom à paciência acabou e você é doente. Vá para casa, cuide da sua gata e se ela estiver precisando de cuidados veterinários traga ela aqui e cuido dela.
- Doente é o senhor que se recusa a atender um paciente. O senhor não é profissional e se a Fifi tiver alguma sequela saiba que irei denuncia-lo no CRM.
- Ah vá para o inferno você e sua gata! Sai da minha clinica, compra agulha, linha e costura o cú da sua gata antes que alguém coma ele de novo.

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quinta-feira, junho 22, 2017

Vida em movimento

vida em movimento

Não se jogue do bonde rapaz você pode cair e aí será tarde demais. Levantar para que? O melhor é ficar onde está.

Não se jogue do bonde porque você vai se machucar. Não se jogue do bonde porque ele é rápido demais e se você cair não vai dar para voltar, por isso não se jogue do bonde rapaz.

Quem se joga do bonde não tem garantia alguma de nada, mas quem não se joga também não tem nada a dizer. Só pode fazer aquele que sabe o que faz. Curiosos são tantos que até é capaz de um deles do nada surgir e tentar entender o porque se perde a razão quando o certo seria insistir sem reclamar e sorrir.

Não se jogue do bonde rapaz, porque a vida não está em cartaz. O fim está perto demais e seria seguro manter seus ideais.

Reflita a tempo que o melhor momento é sempre aquele em que tudo acontece. Reflita com calma, aquiete a alma, deixa o barco seguir. Navegando em paz se chega ao destino, vá em frente rapaz.

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quarta-feira, junho 21, 2017

A gata do Téo

a gata do teo

Cachorros, esses sim são bichos sem frescura e sem nenhuma afetação. Sim existem os poodles e outras raças igualmente suspeitas, mas estas não representam a classe. Os cachorros, com ou sem pedigree, não tem neuras para dormir, para comer, para fazer suas necessidades e muito menos se acham mais do que são. Cachorros são cachorros e só, nada mais.

Em se tratando da natureza e das coisas que não tem explicação, não é de se espantar que existam os gatos, felinos, que tem parentes nobres como o tigre e o leão. Os gatos, esses animaizinhos repletos de frescura e afetação, vivem pelos telhados pulando para lá e para cá, miando, se auto higienizando e comendo apenas a parte que eles consideram nobre do lixo que encontram por ai.

É da natureza deles não comer qualquer coisa, não dormir em qualquer lugar e muito menos aceitar qualquer ser humano como dono. É aí que entra o Téo e sua gata, a Fifi.

Fifi não é uma gata qualquer, é uma gata criada pelo Téo e o Téo não é um ser humano qualquer, é um ser humano cheio de frescura e afetação. Fifi não toma leite se o pote não estiver em cima da mesa, ela toma café junto de seu dono. Fifi só come ração natural, importada, 100% orgânica. Fifi não aceita menos quando sabe que pode e vai receber mais.

Fifi é tratada a pão de ló.

Téo é o dono que todo gato gostaria de ter, porque ele é daqueles donos que até se deita para que o gato pise em cima e gatos tem essa necessidade de se sentirem donos do pedaço, de serem os dominantes da situação.

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quarta-feira, junho 14, 2017

Bolinha de sabão

bolinha de sabao

Faz espuminha no banho todas as noites. Muito legal.

Isso de não ter sentido é só marketing. Puro encantamento para mostrar a todos que as coisas funcionam. A banheira é automática.

E faz espuminha.

A ultima coisa que se pensa dentro de uma banheira dessas é no banho. Na coisa da lavagem, da higienização. O que se quer é ver a espuminha, sentir a espuminha, estar lá junto com a espuminha.

Espuminha, fato, é coisa estranha, mas é o que é há de melhor. Poderia dizer espuma, mas  não ia traduzir a essência da coisa. Espuminha é o termo exato.

Criança adora, faz bolinha de sabão. Adulto adora, brinca com a espuminha. Todo mundo gosta, relaxa e faz bem.

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terça-feira, junho 13, 2017

Passas ao rum

passas ao rum

O melhor sempre foi o sorvete de creme, mas minha noiva insiste em pedir o de flocos quando não acha o de passas ao rum. Mania idiota a dela de comer chocolate depois do jantar, antes de deitar, só para me irritar. Já disse que sorvete de flocos não combina com café, mas ela diz que isso é cisma minha e que esse lance de harmonização é só uma forma de se vender itens com pouca saída.

Desde quando combinar duas coisas que não tem nada haver uma com a outra é uma jogada da indústria para desencalhar itens? Ela cria essas teorias, insiste nisso e perdemos a tarde toda debatendo o sexo dos anjos, ou como ela gosta de dizer, a vida dos querubins.

O dia em que ela parar de me irritar vamos nos separar, isso é certo, mais certo do que dois mais dois é quatro. Não que eu goste quando ela me irrita, mas é que se ela não me irrita não é ela e se não for ela não serve. Ela consegue me irritar até quando está dormindo, porque puxa toda a coberta, se estica na diagonal da cama e quase me joga no chão. Isso é dela, é o jeito que dela, não tem como mudar.

O melhor continua sendo o de creme, mas aqui em casa só entra o de flocos, porque ela nunca acha o de passas ao rum.

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segunda-feira, junho 12, 2017

Caminhantes 2

caminhantes 2

A química dos meus dias de gloria era poder contemplar o mar antes de completamente despertar. Da varanda via o horizonte, o sol a brilhar e o mar. Aquelas ondas batendo, o vento soprando, pássaros em revoada e o mar. Tão logo amanhecia, tão logo os olhos eu abria e já sabia que lá ele estaria, o mar.

Nunca me faltou vontade de vislumbrar o mar. Nunca me faltou vontade de despertar, levantar, abrir os olhos e vislumbrar a minha frente o horizonte e o mar. Vontade. É isso, a palavra magica que transforma tudo, e ela nunca me faltou.

Na infância tinha vontade de chocolate, sempre tive. Na adolescência de descobrir novas coisas interessantes, sempre fui atrás de entender o funcionamento das pequenas coisas, dos itens inusitados e daquilo que me encantava. O projetor de cinema, a tela da televisão, o som do rádio. Meus pais achavam que eu seria um engenheiro, construtor de algo ou cientista, mas não tanto quanto eu.

Descobri cedo ou tarde demais, que não tinha aptidão para coisa pouca, eu queria mais do que o mundo poderia me dar e felizmente, ele me deu o que pode. O que ele pode me dar foi mais do que imaginei. Ao mesmo tempo em que eu crescia, desenvolvia talentos inusitados. Tinha impulsos incontroláveis, vontades inimagináveis e desejos cada vez mais estranhos.

Meus pais já haviam se conformado com o fato de que eu não seria o tal engenheiro dos sonhos ou o cientista famoso ganhador do Nobel. Eles intuíam que eu seria uma espécie de viajante, um homem inquieto em busca de novidades. Aquela vontade da adolescência de entender o funcionamento das pequenas coisas não desapareceu, só aumentou. As pequenas coisas agora eram não estavam mais no meu bairro, na minha cidade, no meu país, elas estavam espalhadas ao redor do mundo e eu precisava ir atrás delas.

Imagem do post: Tumblr / Morningstar

domingo, junho 11, 2017

Pirulito 2

pirulito 2

Ela é a namorada do namorado dela, ele é o namorado da namorada dela. E eles se amam.

E eles se amam, porque ela é a namorada do namorado dela e ele é o namorado da namorada dela.

Deitar na cama sem hora marcada só para fugir da rotina. Sair da cama, sem olhar para trás. Voar sem destino até o amanhecer. A namorada dele, o namorado dela.

Ela nunca foi a namorada de mais ninguém, só dele.

Ele nunca foi o namorado de mais ninguém, só dela.

Acontece que eles ainda não sabem o que será. Enquanto o tempo passa, nada do que era é real. Namorada dele, que é ela. Namorado dela, que é ele.

Um do outro, outro do um. Dois. É dele, é dela.

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sábado, junho 10, 2017

Sem aditivos químicos

sem aditivos quimicos

Feijão com pão é tão bom, mas tão bom, que tenho medo do governo inventar de tributar. Sério que isso sempre passa pela minha cabeça, é um pensamento recorrente.

A primeira vez que experimentei feijão com pão eu estava viajando e no restaurante onde fui almoçar esse era o prato principal. Pedi meio desconfiado, mas já na primeira mordida me apaixonei.

Hoje como feijão com pão todos os dias. Um ao acordar e outro antes de deitar. Um no almoço e outro no jantar. Sem feijão com pão não consigo mais ficar e por conta disso não paro de rimar

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sexta-feira, junho 09, 2017

Caminhantes

caminhantes

Por toda extensão da via podemos ver carros estacionados como que em procissão, uma procissão de carros. O percurso não é dos maiores, não chega a uma maratona, mesmo assim demoramos mais de três horas para percorrer a costa oeste. Um dia nublado, muitas nuvens no céu e um clima estranho. Fumaça saindo das chaminés, lareiras a todo vapor, pessoas encolhidas dentro de seus casacos de lã e um frio cortante nos levando a entrar na primeira lanchonete que encontramos.

- Dois cafés bem quentes.
- Torta de maçã?
- Chessecake para mim.
- Aceito a torta.

Ficamos ali por cerca de uma hora conversando sobre ontem à noite, sobre os pedaços jogados sobre a mesa, sobre aquilo que não compreendíamos, mas que insistíamos em tentar compreender. Conversamos sobre muitas coisas. Perdemos aquela inibição inicial de dois desconhecidos, rimos como se já nos conhecêssemos há muito tempo, talvez até como se fossemos íntimos.

Ontem a noite fez mais frio do que agora. Ontem à noite dispensamos os casacos e nos aquecemos com nossos corpos. Saímos da lanchonete mais tranquilos, menos preocupados com os acontecimentos do passado, mas não ficamos pensando no futuro. Não queríamos criar uma historia que nunca iria acontecer. Fomos sinceros um com o outro enquanto bebíamos cada gole de café. Pagamos a conta da lanchonete com o único dinheiro disponível e não tínhamos nada para pegar uma condução, por isso continuamos a pé mais alguns quilômetros até o posto de gasolina.

- Boa tarde amigo estamos caminhando desde a Thompson Square e não temos nenhum dinheiro conosco, você poderia nos ceder um pouco de agua?
- Viajantes?
- Caminhantes.
- Daqui?
- Memphis.
- Elvis.
- Sim.
- Tem uma torneira embaixo do galpão, sirvam-se a vontade.

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quinta-feira, junho 08, 2017

Luz que ilumina o caminho

luz que ilumina o caminho

Uma lamparina quando acesa pode iluminar um cômodo grande. Uma lamparina, somente uma lamparina e olhe lá. Tecnologia dos dias passados, pois hoje as lâmpadas cumprem muito bem o papel de donas do pedaço. O lance da iluminação passa por várias etapas e compreende muitos processos, uns simples e outros complexos, mas ambos de extrema importância.

Uma lâmpada não é apenas uma lâmpada.

Dito isto podemos dizer com propriedade que a luz, essencial, não pode ser ignorada.

Não espere coerência em um texto como esse. O foco aqui é outro. Não tenho a pretensão de iluminar nenhum caminho, muito menos de discorrer sobre lâmpadas e afins.

Sabe quando nada vem à mente? Então, foi isso.

Nada veio a mente, só uma lamparina e a partir dela todo o resto, esse amontoado de palavras, frases e parágrafos desconexos.

Obrigado pela leitura.

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quarta-feira, junho 07, 2017

Pirulito

pirulito

Ela é o pirulito do pirulito dele, ele é o pirulito do pirulito dela. E eles se amam.

E eles se amam, porque ela é o pirulito do pirulito dele e ele é o pirulito do pirulito dela.

Deitar na cama sem pijama ao meio dia só para fugir da rotina. Sair da cama, sem tocar o chão. Alçar voo sem rota de colisão até o amanhecer. O pirulito dela, o pirulito dele.

Ela nunca foi o pirulito de mais ninguém, só dele.

Ele nunca foi o pirulito de mais ninguém, só dela.

Enquanto o sol surge no horizonte, eles ainda não sabem o que será. Enquanto a lua some faceira, nada do que era antes permanecerá. Pirulito dela, que é dele. Pirulito dele, que é dela.

Um do outro, outro do um. Dois sem tirar e nem por. É dela, é dele.

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terça-feira, junho 06, 2017

Sem conservantes

sem conservantes

- É de fígado!
- Patê?
- Sim, patê.
- E é bom?
- Delicioso.
- Nunca imaginei.
- Boi?
- Galinha.
- Nossa, tantas para um potinho.
- Nem é, porque de certo tem outras misturas no meio.
- Então não é natural.
- E o que nessa vida é.
- Pensando bem nada.
- Então...
- Deixa experimentar...

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segunda-feira, junho 05, 2017

Pão grampeado

pao grampeado

- Padaria do Manoel, bom dia!
- Podemos falar?
- Manoel, bom dia!
- Pão careca, tem hoje?
- A broa está melhor, um tanto quanto crocante, mas ao gosto do freguês.
- Deixa a massa do pão doce descansar mais um pouco e não pesa a mão no açúcar
- As rosquinhas estão quentinhas ainda
- Eu sei, mas ainda não estou podendo com o glúten
- Vou mandar um empadão de frango, farinha especial, você vai gostar
- Bastante recheio, por favor.
- Muito, do jeito que você sempre recebeu.
- Pego as baguetes na próxima semana junto com os frios.
- Ok, ao seu dispor
- E a família, como está?
- Ora, vamos evitar assuntos pessoais por aqui, hoje em dia não podemos dar bobeira com os grampos.

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domingo, junho 04, 2017

Nau a deriva

nau a deriva

Estamos todos no mesmo barco, mas pensamos muito diferente.

Você é embutido, uma mistura de coisas prensadas, embaladas e processadas. Ele é uma fritura, uma massa amarela recheada, em formato de gota.

Você torce para que tudo dê certo. Ele também.

Você gosta do vermelho. Ele não tem uma cor definida, mas simpatiza com o azul e o amarelo.

Você defende a inclusão, não importa como. Ele defende a inclusão, mas só dos que podem ser incluídos.

Você não gosta dos detalhes, acha que dois mais dois, independente do contexto, é sempre quatro. Ele é detalhista ao extremo e sabe que em alguns casos, dois mais dois, mesmo sendo quatro, não resolve o problema.

Você gosta de analisar o presente sob a ótica do passado. Ele analisa o futuro sob a ótica do presente.

Você acha que todos são iguais, desde que essa igualdade seja fora do seu mundo. Ele acha que na teoria todos são iguais, mas que na prática isso não funciona.

Você quer um mundo mais justo. Ele também, desde que todos se esforcem.

O objetivo é o mesmo, mas você, por muitas vezes sonha acordado de olhos fechados e ele, por muitas vezes, deixa de sonhar por medo de não conseguir acordar.

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sábado, junho 03, 2017

Mensagem instantânea

mensagem instantanea

Sempre há algo novo que não pode esperar, algo urgente que não podemos deixar para depois. Por vezes é critico, emergencial e de suma importância, por isso temos que ver, responder, interagir e não importa onde. As coisas que antes não tinham a mínima importância em nossa vida cotidiana transformaram-se em itens sem os quais não conseguimos mais viver.

Não podemos aguardar o conforto do lar para ver a nova foto que o primo do vizinho do cunhado da irmã da nora do dono do mercado da esquina compartilhou na rede social da moda. Não há nada que nos impeça de mandar bom dia a todos os milhares de amigos do aplicativo de mensagens, mesmo sabendo que metade não vai ler e apenas um ou dois amigos irá responder. Estamos ali, conectados a uma vida virtual onde qualquer segundo perdido pode significar estar por fora dos acontecimentos.

Aquele “oi...” não pode ser depois. As fotos da festa que esta acontecendo, não podem ser compartilhadas no dia seguinte ou no final da festa, elas tem que ser vistas e “curtidas” por todos logo após serem tiradas. Tudo é urgente, imediato e para ontem. Cada segundo perdido significa menos uma curtida, menos uma visualização e menos um compartilhamento.

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sexta-feira, junho 02, 2017

Caldo de sardinha

caldo de sardinha

É o que tem.

E como tem.

O bar do Agenor só vende isso e olhe lá. Você bebe uma cerveja super gelada, toma um drink especial à base de cana, mas só tem uma opção de aperitivo, o famoso caldo de sardinha.

De bom o caldo não tem nada, mas é só o que te,

Agenor compra as sardinhas todos os dias, tempera com limão, sal e alho, coloca em uma panela junto com tomate, cebola e coentro. Enche de agua e deixa o troco cozinhar até as sardinhas desmancharem. Ao final do processo bate tudo no liquidificador com um pouco de pimenta e volta para a panela à espera dos pedidos.

A primeira vez que experimentei jurei nunca mais provar aquele caldo, mas dei uma segunda chance ao Agenor e me arrependo até hoje. O Caldo só não é pior porque não dá, de resto, é intragável.

Não conheço viva alma que goste do caldo, nem o Agenor gosta, mas ele diz que faz porque já virou uma tradição. A tradição é perguntar pelo caldo, não comer e é só por isso, que o Agenor ainda tem todo esse trabalho fazendo algo que ninguém come.

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quinta-feira, junho 01, 2017

Modo de preparo

modo de preparo

Pegue duas salsichas e coloque em agua fervente por cinco minutos. Desligue o fogo, descarte a agua e reserve as salsichas. Aqueça uma panela com um fio de óleo ou azeite e refogue meia cebola e um dente de alho. Quando eles estiverem dourados, cuidado com o alho, pois queima rápido, acrescente dois tomates sem casca e sem sementes. Deixei cozinhar, mexendo de vez em quando, em fogo baixo até reduzir e formar um molho espesso. Caso seja necessário acrescente agua, pouca, e pronto.

Desligue o fogo, incorpore as salsichas nesse molho, coloque sal a gosto e pronto.

Antes de começar você precisa seguir corretamente a receita, sem se esquecer de nenhum detalhe. Não mude os ingredientes listados ou a ordem em que eles são preparados e nunca, em hipótese alguma, coma sozinho.

O principal ingrediente desta receita é o compartilhamento, por isso duas salsichas e não uma. Dividir, partilhar, faz toda a diferença no preparo, pois você devota amor em dobro quando prepara um prato que será saboreado por você e por uma pessoa querida.

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quarta-feira, maio 31, 2017

Cheiro de rosas

cheiro de rosas

Apareceu um sabão com mais perfume do que o meu no meio da minha sala e eu não sei quem o colocou lá. Não faço a mínima ideia de como ele foi parar lá, mas sei que acordei sentindo um perfume diferente, forte e quando fui ver estava lá, um sabão no meio da minha sala.

A primeira coisa que fiz foi chamar a Creusa e perguntar se ela ou as crianças sabiam de alguma coisa. Ela me jurou de pés juntos que não tinha nada haver com o aparecimento daquele sabão e que as crianças, Julinho de dois meses e Julia e de um ano e meio, não poderiam ter posto aquele sabão na sala.

Não tivemos visitas no final de semana. O cachorro ficou trancado nos fundos. Não saímos de casa nem para ir ao mercado. Como raios apareceu a porra de um sabão perfumado no meio da minha sala? Como é que tem um sabão muito mais perfumado que o meu, no meio da minha sala? Obra do destino? Acaso? Algo sobrenatural?

Por via das dúvidas peguei a porcaria do sabão, com todo o cuidado e de luvas, analisei bem, cheirei com vontade e não vi nada de tão estranho. Era um sabão Palmolive, lilás, liso, mas com algumas ranhuras e só. Acostumado com sabão de coco e similares, não é todo dia que se tem um sabão tão cheiroso em casa, então abri o chuveiro e tomei um belo banho com o tal do sabão. Sai tão perfumado, mas tão perfumado, que a Creusa ficou pensando besteira, mas eu só fui ao mercado comprar mais sabão.

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terça-feira, maio 30, 2017

Noites insones 3

noites insones 3

Todos os dias acordo cedo e vou dormir bem tarde, quase na hora de acordar. Durmo poucas horas. O sono vem depressa assim que me deito, mas me deito tarde, sem fazer alarde. Sou discreto até para ir dormir.

Não faço tipo, nem concessões, o meu sono é sagrado. Descanso pouco, mas descanso.

Todos os dias vou dormir bem tarde e acordo bem cedo, um pouco depois de ter dormido. Levanto rápido. Tomo banho depressa assim que me levanto. Sou pratico ao extremo, minimalista demais. Gosto do simples, mas admiro a complexidade de todas as coisas.

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segunda-feira, maio 29, 2017

Banana, limão e capim. A vida é bem assim

banana, limao e capim

Caiu bem em cima de mim aquela moça com ar de garota, aquela mulher com ar de quem sabe o quer, aquela lá. A moça do lado direito, a menina da esquerda, a mulher dos mil e um talentos. Caiu bem em cima de mim, mas levantou-se com extrema rapidez e se foi.

Cinquenta anos depois em vinte de janeiro de mil novecentos e noventa e quatro, ela resolveu discutir a relação. Comprou uma penca de bananas, fez um bolo delicioso, comeu tudo sozinha e riu da minha cara quando perguntei por tudo o que nos havia acontecido. Ela era um doce quando tentava ser azeda e um mel quando sorria amarelo.

Aos oitenta anos eu não era mais aquele rapaz da ditadura, aquele ser amargurado, aquele individuo insensível. Aos oitenta anos eu estava mais para James Dean em seus melhores momentos do que para Marlon Brando. E aja capim para nós. Fevereiro foi um mês difícil na lavoura.

Limão a parte ela nunca gostou de rosas, nunca foi a paris e hoje ainda pensa que o céu é longe demais.

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domingo, maio 28, 2017

O fracasso foi um sucesso

o fracasso foi um sucesso

Como em quase todas as tentativas, o fracasso, nessa em especial, foi um sucesso.

Muito tem se falado sobre o processo colaborativo, sobre a coisa do juntos fazemos a diferença, mas pouco tem sido dito sobre o querer do coletivo. Quando o coletivo não quer, quando o coletivo tem outra coisa em mente, não adianta tentar convence-lo de que o mais certo a se fazer é seguir a manada.

A organização dos atos leva em conta uma serie de fatores que no fim não servem ao proposito porque não levam em conta o fator primordial. A organização verifica as condições climáticas, checa o percurso, confere se todos os itens necessários foram comprados, mas se esquece de perguntar ao coletivo se ele esta disposto a participar do ato.

Infelizmente só se descobre que o coletivo não é receptivo a ideia quando não há tempo algum para reorganizar tudo e o que se vê são ações desencontradas, pautadas pelo despreparo, que visam tão somente tentar forçar o coletivo a fazer algo que ele não quer, em nome de algo que ele nem sabe o que é.

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sábado, maio 27, 2017

Voto secreto

voto secreto

Em ano de eleição o mais prudente é permanecer inerte em frente à Tv observando os fatos, contabilizando os números e anotando tudo. O importante é não esquecer os detalhes, pensar no todo como um todo e sorrir quando o IBOPE ligar. E o IBOPE vai ligar.

O certo é que em ano de eleição, seja ela dupla ou não, as promessas serão muitas. O candidato A vai propor a mesma coisa que o candidato B, que também vai propor a mesma coisa que o candidato C. A diferença entre as propostas está na forma como elas serão feitas. O candidato A vai chorar, o B vai sorrir e o C vai cantar. Você vai se emocionar a cada depoimento.

Por secreto entenda-se o voto, as intenções não. Elas podem ser analisadas, serão esmiuçadas e todos saberão com exatidão para que lado você torce.

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sexta-feira, maio 26, 2017

Coisa boa

coisa boa

Coisa boa é dormir. Ao seu lado.

Coisa boa é sorrir. O seu sorriso.

Coisa boa é viver. Por você.

Coisa boa é saber. Do seu amor.

Coisa boa é sonhar. Com você.

Coisa boa é beijar. Sua boca.

Coisa boa é sentir. Sua presença.

Coisa boa é amar. Você.

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quinta-feira, maio 25, 2017

Halapeño

halapeno

Haja limão no meio do salão e haja sal para tanta confusão em tão pouco tempo. A garganta seca, o corpo quente e a temperatura caindo vertiginosamente. Um pouco mais de trinta abaixo de zero, um pouco menos de vinte acima do permitido e tudo misturado em meio a bêbados chorões. Mulheres histéricas, homens valentes e poucos contentes com o novo rumo das coisas. O fim, esse sim, está mais próximo do que imaginamos.

Nem é tão ruim como halapeño em conserva, é bom como pimenta macerada aos poucos, transformada em pasta. Arde, queima, irrita, mas não mata. Desidrata quem muito chora.

Compreendendo o momento exato de parar tudo funciona. O ardor se vai, a queimação cessa e a irritação desaparece. Mágica? Não, calma e atenção aos detalhes.

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quarta-feira, março 01, 2017

Todo carnaval tem seu fim

todo carnaval tem seu fim

Não fará a menor falta ver escolas de samba desfilando pela suntuosa avenida se ano que vem ao invés tivermos blocos tradicionais arrastando a multidão. Não fará a menor falta a transmissão dos desfiles se ano que vem no lugar a Vênus platinada exibir a reprise de uma novela ou um filme daqueles que já passou milhares de vezes na sessão da tarde.

Quem estiver disposto a ser enganado por resultados forjados, tramas de bastidores e grana que rola solta, pode continuar a pagar uma pequena fortuna para assistir aos desfiles diretamente na fonte. Gosto muito de carnaval, gosto dos blocos, do tempo sabático, da animação, mas não gosto da indústria em que se transformaram os desfiles e do uso que se faz da imagem de pessoas que nada ganham para estar ali, se doando para o "show".

Tudo na vida tem um fim e para mim, com toda a sinceridade, esse ano, poderia ser decretado o fim de toda essa encenação sem nexo e sem sentido.

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E viva a Azul, Vermelha, Amarela, Verde e Branco

E viva a Azul, Vermelha, Amarela, Verde e Branco

A cada ano aumenta o escárnio, a falta de respeito e de vergonha na cara. O carnaval, esse em que o povo brinca, se diverte nos blocos e ou descansa, vai bem obrigado. O comércio, a manipulação, a cara de pau e a armação que é o desfile das escolas de samba também vai bem, vai bem mal e não tem mais sentido nenhum.

O desfile das escolas de samba só existe porque existem otários, digo pessoas, que pagam por ele. São gringos deslumbrados, "torcedores" apaixonados e iludidos, rede de televisão e outro tanto de gente que acha que papai noel vira em Dezembro. Não existe essa coisa de espetáculo, de show, de alegria. O que existe é tão somente um mercado que se alimenta, a cada ano de forma mais voraz, de grana, muita grana.

O amor se foi com as cordas dos desfiles da praça onze, com a megalomania dos efeitos pirotécnicos, a "grandiosidade" dos carros alegóricos e a vontade cada vez maior de se ganhar mais e mais dinheiro. Os sambas enredos são "fabricados", seguem um padrão, tal e qual receita de bolo, são todos feitos na mesma forma. Os enredos são patrocinados, leva quem da mais e não quem tem um boa ideia.

Foi-se o tempo em que fazia sentido acreditar que a força da comunidade faria a diferença. Foi-se o tempo em que a harmonia contava pontos e que "buracos" durante o desfile tiravam pontos. Hoje vale o que é combinado nos bastidores alguns meses antes dos desfiles, vale o que se acerta através de notas de cem reais em transferências bancárias para as contas de quem comanda o show e dita as regras. Ganha a escola que tiver mais cacife, a que tiver um caixa maior para "bancar" o show e para ser feliz.

Hoje ganha a Azul, Vermelha, Amarela, Verde e Branco, mas perde-se o que antes era só a vontade de fazer bonito com samba no pé e na garganta.

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Técnica x emoção

tecnica x emocao

A técnica se sobrepõe a emoção e por conta disso nem sempre a escola que mais empolga e agrada ao público é a que “vence” o carnaval. Jurados enxergam os detalhes, veem aquele fio solto na fantasia das baianas, observam aquela lâmpada de led apagada no carro abre alas. Jurados têm olhos de lince.

O publico, a massa, vê o brilho e a beleza da escola de coração, por isso que dificilmente aceita quando uma escola fria, que passa sem emoção, ganha as maiores notas. Eles não sabem que os jurados de bateria podem identificar um tamborim, em meio a mais de trezentos ritmistas, desafinado e por isso, é que tiram um décimo da escola preferida da maioria.

A emoção só se sobrepõe a técnica quando todas as escolas erram além da conta e nesse caso os jurados tiram menos pontos da escola que desfilou com mais amor no coração.

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Alá, laô

ala lao

O bloco dos descontentes esse ano passou bem mais tranquilo, as reclamações foram suaves e ao que parece a grande maioria descobriu que pode passar o carnaval sem se preocupar com a alegria alheia.

Todos os anos os que não gostam da folia, mas aproveitam os cinco dias de feriado, insistem em mal dizer os desfiles, os blocos de rua, os trios elétricos e todo o resto. Eles acham que com suas lamurias estão fazendo um grande favor à sociedade e que no próximo ano não teremos carnaval.

Não gostar de algo é totalmente compreensível, mas querer que esse algo deixe de acontecer por pura birra, é algo que não faz sentido.

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Fofurices

fofurices

- Cabecinha linda, mulher da minha life, coisa rica do papai... O que você deseja?
- Desejo tudo de bom para você e todos os seus.
- Você é parte dos meus.
- Sim.
- Que bom.

Sobe o tom. Aumenta um pouco o volume e tenta não chorar. Controla a emoção. É festa.

- Vamos brindar?
- Á mim?
- Á nós.
- Debaixo dos lençóis para rimar ou em qualquer outro lugar só para contrastar?
- Por cima dos lençóis para implicar.

Abaixa o tom. Diminui um pouco o volume e tenta não rir. Descontrola. Perde o tino e faz uma loucura. O ritmo é de aventura.

- Corta!
- Para!
- Segue!
- Eu te amo!
- Também te amo, mas preferia que não estivesse tanto calor.

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