quarta-feira, julho 26, 2017

Corre para ver o sol

corre para ver o sol

Corre para ver o sol, mas não se esquece de contemplar o mar. Corre, mas sem pressa de chegar. Vá com calma e decisão, veja o sol, comtemple o mar e se der, caso possa, naquele tempinho extra, nos minutinhos restantes, antes de perder completamente os sentidos, sorria.

Vida agitada, atribulada e cheia de tarefas. Movimentação estranha embaixo dos lençóis e dentro da mente. O corpo pede e não está doente. A boca fala, mas o som não sai. Instintivamente tudo acontece e nada muda. São os novos tempos querendo lhe mostrar que ainda há muito para descobrir, aprender e fazer.

Tem tanto espaço lá embaixo, tanta gente perdida, tanto frio enlatado, que dá medo sair no escuro sem um guia confiável. Quem muito pergunta esquece a resposta quando a obtém e quem nada questiona não sabe a hora de admitir que já esta perdido.

Faço minhas as palavras de todos aqueles que pelo menos tentaram. Faço minhas as palavras de todos aqueles que sucumbiram após correr demais para ver o sol e não contemplaram o mar. Alguns pelo menos tiveram tempo de sorrir.

Imagem do post: Tumblr / W-clarity

quinta-feira, junho 29, 2017

A gata do Téo 2

a gata do teo 2

- Doutor você precisa me ajudar!
- Acalme-se, o que aconteceu meu filho?
- A Fifi, o senhor precisa salvar a Fifi!
- Ok, quem é essa tal de Fifi?
- Minha gata, a Fifi, ela está morrendo...
- Morrendo? Tente ficar calmo e me conte o que aconteceu para que eu possa tentar ajudar.
- Doutor você tem que salvar a Fifi! O senhor não esta entendendo.
- Claro que não estou, você não fica calmo e fala coisa com coisa. Conte o que a sua gata está sentindo e eu vou tentar ajudar.
- Macularam a Fifi!
- Ah, ela cruzou com outro gato e agora está esperando gatinhos. É isso.
- Não doutor! O senhor não está levando a serio a gravidade do caso. Fizeram mal a minha gatinha...
- Filho, os animais, assim como os humanos, têm relações, praticam o coito, isso é normal, o outro gato não fez mal a sua gata.
- Não foi um gato doutor. Comeram o cú da Fifi!
- Vamos lá que não tenho paciência para frescura e nem tempo para perder. Onde está a sua gata, deixe-me vê-la, vou examina-la.
- Ela não está aqui doutor, está em casa, eu não ia trazê-la neste estado. A coitada foi abusada imagine a vergonha que ela está sentido neste momento.
- Filho, qual o seu nome?
- Téo, mas não se trata de mim, e sim da Fifi, é ela quem precisa de ajuda doutor.
- Téo eu sou um veterinário, não um sensitivo, portanto, só posso ajudar a sua gata se ela estiver aqui no consultório. Não realizo atendimento a distancia via teleconferência, preciso ver o paciente, no seu caso, a sua gata.
- Por isso que estou aqui para levar o senhor até ela antes que a coitadinha piore ainda mais.
- Não faço atendimento em residenciais e além do mais, pelo que você disse, se alguém realmente fez algum mal a sua gata, isso pode ser considerado caso de maus tratos. Você não viu ou tem ideia de quem a machucou?
- Como assim o senhor não vai até ela? É claro que não sei quem comeu o cú da Fifi. Ela é uma gata pura, inocente, não se mistura com esses gatos por ai.
- Bom à paciência acabou e você é doente. Vá para casa, cuide da sua gata e se ela estiver precisando de cuidados veterinários traga ela aqui e cuido dela.
- Doente é o senhor que se recusa a atender um paciente. O senhor não é profissional e se a Fifi tiver alguma sequela saiba que irei denuncia-lo no CRM.
- Ah vá para o inferno você e sua gata! Sai da minha clinica, compra agulha, linha e costura o cú da sua gata antes que alguém coma ele de novo.

Imagem do post: Google

quinta-feira, junho 22, 2017

Vida em movimento

vida em movimento

Não se jogue do bonde rapaz você pode cair e aí será tarde demais. Levantar para que? O melhor é ficar onde está.

Não se jogue do bonde porque você vai se machucar. Não se jogue do bonde porque ele é rápido demais e se você cair não vai dar para voltar, por isso não se jogue do bonde rapaz.

Quem se joga do bonde não tem garantia alguma de nada, mas quem não se joga também não tem nada a dizer. Só pode fazer aquele que sabe o que faz. Curiosos são tantos que até é capaz de um deles do nada surgir e tentar entender o porque se perde a razão quando o certo seria insistir sem reclamar e sorrir.

Não se jogue do bonde rapaz, porque a vida não está em cartaz. O fim está perto demais e seria seguro manter seus ideais.

Reflita a tempo que o melhor momento é sempre aquele em que tudo acontece. Reflita com calma, aquiete a alma, deixa o barco seguir. Navegando em paz se chega ao destino, vá em frente rapaz.

Imagem do post: Redheads be here

quarta-feira, junho 21, 2017

A gata do Téo

a gata do teo

Cachorros, esses sim são bichos sem frescura e sem nenhuma afetação. Sim existem os poodles e outras raças igualmente suspeitas, mas estas não representam a classe. Os cachorros, com ou sem pedigree, não tem neuras para dormir, para comer, para fazer suas necessidades e muito menos se acham mais do que são. Cachorros são cachorros e só, nada mais.

Em se tratando da natureza e das coisas que não tem explicação, não é de se espantar que existam os gatos, felinos, que tem parentes nobres como o tigre e o leão. Os gatos, esses animaizinhos repletos de frescura e afetação, vivem pelos telhados pulando para lá e para cá, miando, se auto higienizando e comendo apenas a parte que eles consideram nobre do lixo que encontram por ai.

É da natureza deles não comer qualquer coisa, não dormir em qualquer lugar e muito menos aceitar qualquer ser humano como dono. É aí que entra o Téo e sua gata, a Fifi.

Fifi não é uma gata qualquer, é uma gata criada pelo Téo e o Téo não é um ser humano qualquer, é um ser humano cheio de frescura e afetação. Fifi não toma leite se o pote não estiver em cima da mesa, ela toma café junto de seu dono. Fifi só come ração natural, importada, 100% orgânica. Fifi não aceita menos quando sabe que pode e vai receber mais.

Fifi é tratada a pão de ló.

Téo é o dono que todo gato gostaria de ter, porque ele é daqueles donos que até se deita para que o gato pise em cima e gatos tem essa necessidade de se sentirem donos do pedaço, de serem os dominantes da situação.

Imagem do post: Google

quarta-feira, junho 14, 2017

Bolinha de sabão

bolinha de sabao

Faz espuminha no banho todas as noites. Muito legal.

Isso de não ter sentido é só marketing. Puro encantamento para mostrar a todos que as coisas funcionam. A banheira é automática.

E faz espuminha.

A ultima coisa que se pensa dentro de uma banheira dessas é no banho. Na coisa da lavagem, da higienização. O que se quer é ver a espuminha, sentir a espuminha, estar lá junto com a espuminha.

Espuminha, fato, é coisa estranha, mas é o que é há de melhor. Poderia dizer espuma, mas  não ia traduzir a essência da coisa. Espuminha é o termo exato.

Criança adora, faz bolinha de sabão. Adulto adora, brinca com a espuminha. Todo mundo gosta, relaxa e faz bem.

Imagem do post: Google

terça-feira, junho 13, 2017

Passas ao rum

passas ao rum

O melhor sempre foi o sorvete de creme, mas minha noiva insiste em pedir o de flocos quando não acha o de passas ao rum. Mania idiota a dela de comer chocolate depois do jantar, antes de deitar, só para me irritar. Já disse que sorvete de flocos não combina com café, mas ela diz que isso é cisma minha e que esse lance de harmonização é só uma forma de se vender itens com pouca saída.

Desde quando combinar duas coisas que não tem nada haver uma com a outra é uma jogada da indústria para desencalhar itens? Ela cria essas teorias, insiste nisso e perdemos a tarde toda debatendo o sexo dos anjos, ou como ela gosta de dizer, a vida dos querubins.

O dia em que ela parar de me irritar vamos nos separar, isso é certo, mais certo do que dois mais dois é quatro. Não que eu goste quando ela me irrita, mas é que se ela não me irrita não é ela e se não for ela não serve. Ela consegue me irritar até quando está dormindo, porque puxa toda a coberta, se estica na diagonal da cama e quase me joga no chão. Isso é dela, é o jeito que dela, não tem como mudar.

O melhor continua sendo o de creme, mas aqui em casa só entra o de flocos, porque ela nunca acha o de passas ao rum.

Imagem do post: Tumblr / Here are beautiful people

segunda-feira, junho 12, 2017

Caminhantes 2

caminhantes 2

A química dos meus dias de gloria era poder contemplar o mar antes de completamente despertar. Da varanda via o horizonte, o sol a brilhar e o mar. Aquelas ondas batendo, o vento soprando, pássaros em revoada e o mar. Tão logo amanhecia, tão logo os olhos eu abria e já sabia que lá ele estaria, o mar.

Nunca me faltou vontade de vislumbrar o mar. Nunca me faltou vontade de despertar, levantar, abrir os olhos e vislumbrar a minha frente o horizonte e o mar. Vontade. É isso, a palavra magica que transforma tudo, e ela nunca me faltou.

Na infância tinha vontade de chocolate, sempre tive. Na adolescência de descobrir novas coisas interessantes, sempre fui atrás de entender o funcionamento das pequenas coisas, dos itens inusitados e daquilo que me encantava. O projetor de cinema, a tela da televisão, o som do rádio. Meus pais achavam que eu seria um engenheiro, construtor de algo ou cientista, mas não tanto quanto eu.

Descobri cedo ou tarde demais, que não tinha aptidão para coisa pouca, eu queria mais do que o mundo poderia me dar e felizmente, ele me deu o que pode. O que ele pode me dar foi mais do que imaginei. Ao mesmo tempo em que eu crescia, desenvolvia talentos inusitados. Tinha impulsos incontroláveis, vontades inimagináveis e desejos cada vez mais estranhos.

Meus pais já haviam se conformado com o fato de que eu não seria o tal engenheiro dos sonhos ou o cientista famoso ganhador do Nobel. Eles intuíam que eu seria uma espécie de viajante, um homem inquieto em busca de novidades. Aquela vontade da adolescência de entender o funcionamento das pequenas coisas não desapareceu, só aumentou. As pequenas coisas agora eram não estavam mais no meu bairro, na minha cidade, no meu país, elas estavam espalhadas ao redor do mundo e eu precisava ir atrás delas.

Imagem do post: Tumblr / Morningstar

domingo, junho 11, 2017

Pirulito 2

pirulito 2

Ela é a namorada do namorado dela, ele é o namorado da namorada dela. E eles se amam.

E eles se amam, porque ela é a namorada do namorado dela e ele é o namorado da namorada dela.

Deitar na cama sem hora marcada só para fugir da rotina. Sair da cama, sem olhar para trás. Voar sem destino até o amanhecer. A namorada dele, o namorado dela.

Ela nunca foi a namorada de mais ninguém, só dele.

Ele nunca foi o namorado de mais ninguém, só dela.

Acontece que eles ainda não sabem o que será. Enquanto o tempo passa, nada do que era é real. Namorada dele, que é ela. Namorado dela, que é ele.

Um do outro, outro do um. Dois. É dele, é dela.

Imagem do post: Tumblr / In awe

sábado, junho 10, 2017

Sem aditivos químicos

sem aditivos quimicos

Feijão com pão é tão bom, mas tão bom, que tenho medo do governo inventar de tributar. Sério que isso sempre passa pela minha cabeça, é um pensamento recorrente.

A primeira vez que experimentei feijão com pão eu estava viajando e no restaurante onde fui almoçar esse era o prato principal. Pedi meio desconfiado, mas já na primeira mordida me apaixonei.

Hoje como feijão com pão todos os dias. Um ao acordar e outro antes de deitar. Um no almoço e outro no jantar. Sem feijão com pão não consigo mais ficar e por conta disso não paro de rimar

Imagem do post: Google

sexta-feira, junho 09, 2017

Caminhantes

caminhantes

Por toda extensão da via podemos ver carros estacionados como que em procissão, uma procissão de carros. O percurso não é dos maiores, não chega a uma maratona, mesmo assim demoramos mais de três horas para percorrer a costa oeste. Um dia nublado, muitas nuvens no céu e um clima estranho. Fumaça saindo das chaminés, lareiras a todo vapor, pessoas encolhidas dentro de seus casacos de lã e um frio cortante nos levando a entrar na primeira lanchonete que encontramos.

- Dois cafés bem quentes.
- Torta de maçã?
- Chessecake para mim.
- Aceito a torta.

Ficamos ali por cerca de uma hora conversando sobre ontem à noite, sobre os pedaços jogados sobre a mesa, sobre aquilo que não compreendíamos, mas que insistíamos em tentar compreender. Conversamos sobre muitas coisas. Perdemos aquela inibição inicial de dois desconhecidos, rimos como se já nos conhecêssemos há muito tempo, talvez até como se fossemos íntimos.

Ontem a noite fez mais frio do que agora. Ontem à noite dispensamos os casacos e nos aquecemos com nossos corpos. Saímos da lanchonete mais tranquilos, menos preocupados com os acontecimentos do passado, mas não ficamos pensando no futuro. Não queríamos criar uma historia que nunca iria acontecer. Fomos sinceros um com o outro enquanto bebíamos cada gole de café. Pagamos a conta da lanchonete com o único dinheiro disponível e não tínhamos nada para pegar uma condução, por isso continuamos a pé mais alguns quilômetros até o posto de gasolina.

- Boa tarde amigo estamos caminhando desde a Thompson Square e não temos nenhum dinheiro conosco, você poderia nos ceder um pouco de agua?
- Viajantes?
- Caminhantes.
- Daqui?
- Memphis.
- Elvis.
- Sim.
- Tem uma torneira embaixo do galpão, sirvam-se a vontade.

Imagem do post: Google

 

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